La Casa de Papel – Parte 2 | Crítica

A segunda parte de uma das maiores surpresas da Netflix

31 jan 2018

No nosso mindset, está claro que seja pelo motivo que for, a grande maioria das pessoas está condicionada a consumir conteúdo de entretenimento apenas americano, e às vezes, britânico. É meio babaca assumir isso, mas é a realidade de 99% do público hoje. A Netflix já não é novidade pra ninguém, mas nos últimos anos, e meses principalmente, vêm trazendo séries e conteúdos dos mais variados países e culturas. Citando apenas o fim de 2017, dá pra falar de Dark (CRÍTICA AQUI), que é uma série alemã, e a surpresa em questão: La Casa de Papel (CRÍTICA DA PRIMEIRA PARTE AQUI).

Como já se sabe, a série foi exibida originalmente pelo canal espanhol Antena 3, que entrou em acordo com a Netflix para a distribuição internacional. Em sua forma original, a série possui 15 episódios de uma média de 70 minutos, algo que a locadora vermelha julgou incompatível com seu conteúdo, e a fez reeditar a série. Na nova edição, a produção ficou com 13 episódios, em uma primeira parte. A segunda, que será liberada em abril, estarão outros 6 episódios. Por “meios não oficiais”, já é possível assistir os episódios finais da série, e foi o método utilizado por esse que vos fala (não tô encorajando ninguém hein?).

Gancho

Com o fim da primeira parte que estava na Netflix, o gancho era bom, mas não tanto quanto em alguns outros episódios. A descoberta da Inspetora Raquel Murillo (Itziar Ituño) do local onde o grupo de assaltantes se preparou é algo que realmente faz a trama avançar ao ponto de quase solucionar o quebra-cabeças. E então, mais uma vez, a inventividade dá as caras e mostra o porquê da série ter sido montada como foi. Mostrar o passado e o presente intercalados nos deixa tão aflitos quanto a polícia para saber o desfecho daquela ação, com a diferença que, na maior parte, as pessoas estão torcendo pelos bandidos.

História bem amarrada

Com a divisão feita pela Netflix, a série acaba ficando com 19 episódios, e apesar de parecer muito, pouquíssimas vezes é criada alguma espécie de barriga ou a série perde o fôlego. As vezes em que isso acontece, é quase sempre pela relação de alguns personagens que se estende mais do que o necessário, ou pelo prolongamento de uma solução simples. Porém, em nenhum momento dos 19 episódios a série fica entediante. A tensão está ali, pode ser enxergada e até cortada com faca.

Outra coisa presente nas duas partes da série é a criatividade e genialidade dos planos. O Professor (Álvaro Morte) monta o plano contemplando cada variável e ver cada ação da polícia, certa ou errada, contribuindo para o plano do chefe é recompensador pra quem torce pelos assaltantes. A única coisa capaz de fazer tudo se perder, como já disse Tokyo (que mulher essa Úrsula Corberó, hein?) é o amor, já que “o amor é um ótimo motivo pra que tudo dê errado”. E de certa forma, é isso que acontece.

A série também é grande quando se trata de desenvolver personagens do seu grupo principal. A personalidade deles se mantém durante toda a série, e quem você odiava no começo, vai continuar odiando de alguma forma até o fim, mesmo que seja por outro motivo. O ponto é que ninguém ali é quem é por capricho, e sim por evolução de personagens, e isso enriquece ainda mais a história, que se levasse 19 episódios contando apenas a frieza comum de um assalto, talvez não tivesse o mesmo impacto.

Desfecho

Na parte final, fica clara a referência a uma espécie de Anarquia antifascismo politizada e consciente, algo como se os nossos queridos assaltantes fossem Robin Hoods modernos. Para a maioria deles, o motivo é o dinheiro, mas para o Professor, não é só isso. É justiça, é a mensagem de inconformismo com a forma dos ricos lidarem com os mais pobres (tipo BOM CHIBOM BOMBOMsacou?). Até a música que guia a trama, Bella Ciao (eu sei que cê tá cantando mentalmente), é um símbolo da mensagem, pois é uma canção entoada a plenos pulmões na Resistência Italiana contra o nazifascismo.

La Casa de Papel é sim uma grata surpresa até o final, que apesar de previsível, condiz com todo o restante da série e não cai na armadilha de deixar escancarada a possibilidade de uma continuação. Mesmo assim, a gente gostaria de continuar vendo essa história e pra onde foi todo mundo, ou não?

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