Scandal | Crítica

São 6 fucking temporadas!

30 jan 2018

Olívia Pope (Kerry Washignton) é ex funcionária da Casa Branca e dona da Pope & Associates, uma empresa que gerencia crises. Se você é uma pessoa pública e traiu sua mulher ou matou alguém, chame a Olívia. Se você precisa se vingar de alguém muito influente e que pode te matar, chame a Olívia. Se você não quer que nenhum dos seu segredos venha à tona, chame a Olívia.

Sua equipe de “Gladiadores” possui uma mancha em seu passado e todos são muito gratos à Olivia, pois sem a ajuda dela nenhum deles seria capaz de ter uma vida normal. A Pope & Associates existe para proteger os clientes, que foi aberta logo depois que Olívia deixou a Casa Branca esperando um recomeço. O problema é que nunca é fácil romper com o passado.

O maior trunfo da primeira temporada é sem dúvidas a própria Olívia Pope, uma mulher forte e cativante que nos faz esquecer o roteiro fraco, mal escrito e cheio de cenas previsíveis. O bom é que essas falhas são completamente justificáveis, já que serviu apenas de início para o propósito geral da série.

Na segunda temporada os casos semanais que Olívia e sua equipe enfrentam perdem destaque e começam a serem trabalhados como segundo plano, já que o foco principal são os dramas pessoais vividos pela própria Olívia. A vida pessoal de Olívia ganhou mais destaque que a profissional e, por inúmeras vezes elas se cruzaram e causaram um verdadeiro terremoto na vida da protagonista.  Porque no fim das contas, se não é pra causar a gente nem sai de casa.

 

Olívia nada mais é do que a amante do Presidente dos EUA. Apesar de ser uma relação conturbada, Fitz (Tony Goldwyn) perde completamente o respeito a partir dessa temporada. Apesar do roteiro criar toda uma expectativa envolvendo esse amor impossível entre os protagonistas, nós sabemos que isso nunca vai dar certo. O rebuceteio se completa com o ingresso de Jake (Scott Foley) como um novo par romântico para Olívia. Jake aparenta ser o oposto de Fitz, quando na verdade eles são muito parecidos em muitos pontos, a única diferença é que Jake não é casado.

Além da conturbada vida pessoal da Olívia, o foco permanece na conspiração criada para adulterar a votação que deu ao Fitz o cargo de Presidente. Acontece que a eleição foi uma tremenda fraude criada por Olívia, Mellie (Bellamy Young) e Cyrus (Jeff Perry) que formaram o Defiance. A segunda temporada conseguiu surpreender positivamente nos apresentando muitas conspirações políticas.

 

A terceira temporada é responsável por um terremoto político. Fitz teve sua reputação jogada no núcleo da Terra depois da mídia ter revelado que ele possuía uma amante, o que deu uma brecha para novos concorrentes tentarem se eleger às custas desse babado. Foi sufocante ver uma busca incessante pelo poder e, principalmente as surpresas que enredo preparou para os episódios finais. O surpreendente de verdade foi o que levou Fitz à sua reeleição, até porque ninguém esperava que ele abdicasse de tudo pra ir vender geleia com a Olívia.

Olívia Pope manteve o sangue no olho a temporada inteira, mas infelizmente sua destreza em resolver problemas não foi o suficiente para que ela percebesse o verdadeiro mau a tempo. Essa temporada trouxe a tona seu pai, Rowan (Joe Morton) que é extremamente controlador e possessivo. Não satisfeita, a trama também nos traz a falecida mãe de Olívia, Maya (Khandi Alexander) que é uma verdadeira decepção.  Com uma família dessas, não dá pra culpar a Olívia por querer fugir pro desconhecido.

A quarta temporada começa chata e sem graça com Olívia vivendo sob o sol com Jake, até que ela recebe a notícia de que um amigo foi assassinado o que a obriga à deixar o seu sonho de princesa para trás. O problema é que tudo continua chato, basicamente mostra Olívia tentando retomar a sua antiga vida e percebendo que ninguém parou esperando que ela retornasse. Após muito esforço para reintroduzir Olívia no centro do universo, quando ela finalmente encara o sol com leveza, ela é sequestrada em sua própria casa.

O plot do sequestro foi longo? Foi, mais foi importante e ousado. Enquanto tudo parecia ser apenas um acontecimento qualquer, se revelou uma farsa muito bem elaborada revelando a verdadeira ameaça. Olívia foi sequestrada, usada e por muito pouco vendida. O Presidente foi à guerra por uma mulher. Olívia se mostrou ainda mais forte do que nós já estamos acostumados, chegando a ser prepotente. Ao mesmo tempo, ela se mostrou frágil e assustada, o que contribuiu para o crescimento da personagem.

A quinta temporada chega com um pouco de drama justamente para dar um charme. O que faltou na temporada anterior, aqui se faz presente e deixa muito mais atrativo. Após todos os acontecimentos, Olívia está traumatizada, Fitz consegue expulsar da Casa Branca todos os corruptos, os dois finalmente estão juntos. Mas como nem tudo são flores, o relacionamento deles se torna público e vira um escândalo nacional. Paralelamente, o mandato de Fitz está no fim e a eleição presidencial está chegando e nós somos arrebatados para acompanhar os bastidores das campanhas entre os Democratas e Republicanos.

O que difere a quinta temporada das anteriores, é que muito dela não se trata apenas de Olívia, o foco foi muito bem distribuído e deu uma presença muito positiva a outros personagens, como por exemplo, a Abby (Darby Stanchfield) que consegue se libertar da sombra de Olívia, das garras do presidente e finalmente está tomando as rédeas de sua nova carreira. Mellie que conquistou seu lugar ao sol e por muitos episódios demonstra a que veio e também temos Susan, que era apenas um alívio cômico conseguiu se sobressair e mostrar valor à Casa Branca.

A sexta temporada noz traz a fatídica questão: amamos ou odiamos Olívia Pope. Após muitas derrapadas durante as temporadas, fomos apresentados com uma nova perspectiva da vida e das motivações de Olívia. Após muitas idas e vindas com o Presidente dos EUA, os surtos do Huck (Guillermo Díaz), finalmente entendemos o propósito de Olívia. Resolver problemas. Muitas das coisas haviam se perdido em meio a tantos plots desnecessários e insuportáveis, como Rowan fingindo ter um AVC ou a própria Liv querendo fazer geleia. Pelo amor de Deus.

Scandal quase virou um circo. Porém, toda a disputa eleitoral mostrada na temporada anterior deu o impulso para que tudo voltasse a seu lugar. Aqui temos Cyrus (Jeff Perry) podendo assumir a Presidência e tentando virar o mocinho da história e temos Mellie querendo ser a primeira mulher a ocupar a Presidência de um país.

Olívia mostrou a que veio, literalmente. Ela enfrentou o pai. Enfrentou a mãe. E venceu mais uma vez a corrida presidencial. Ela quer poder. Olívia Pope é o poder. Em um episódio ela disse “Eu ousei nascer mulher e negra“, e provou que é isso que a torna especial.

A sétima temporada está em exibição nos EUA e infelizmente é a última, assim que conseguir acompanhar, trago meu veredito à vocês. Por enquanto, deliciem-se com todas as 6 temporadas disponíveis na Netflix.

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