The Cloverfield Paradox | Crítica

A surpresa não ficou só na estreia antecipada

6 fev 2018

A febre do momento são os universos compartilhados, e quase todos os estúdios lutam pra construir o seu. Marvel, DC, Monstros da Universal, Star Wars, todos têm o seu universo, de uma maneira ou outra, independente de ter ou não uma coesão. Então, é louvável a compreensão de que The Cloverfield Paradox é uma tentativa sem muito alarde de ampliar um universo que foi iniciado em Cloverfield -Monstro.

O segundo filme dessa franquia veio também sem muito aviso, inclusive com um nome diferente durante a produção. Rua Cloverfield, 10 jogava luz no outro lado da invasão, e soava inicialmente apenas como um filme de cárcere, e vai muito além disso, construindo a tensão em torno de todas as situações que propõe. Filmaço.

Agora, além da surpresa de ter estreado na Netflix logo após a exibição de seu trailer no Super Bowl LII, o terceiro filme da série decide dar seu passo mais arriscado até então, e o faz com maestria. A história mostra a terra no mesmo período em que ocorre os primeiros filmes, sofrendo uma forte crise energética que aumenta a tensão entre os países. Num esforço para solucionar o problema, sete astronautas são enviados à uma estação espacial na órbita da terra, com a missão de fazer funcionar um Acelerador de Partículas que geraria energia limpa, ilimitada e grátis para todo o planeta, dando fim à crise.

O filme é rápido em mostrar as tentativas da equipe e a importância do trabalho para o mundo, mas funciona bem, e dá ritmo à história. É claro que os problemas na missão não demoram a acontecer, e o maior deles acaba enviando a estação espacial para outra dimensão. Essa situação, ao mesmo tempo, envia monstros de outra dimensão para o nosso planeta azul. Pronto, o filme explicou tudo, mas é só isso?

Não. A tensão toma conta do resto do longa, que usa o bom humor e até algumas situações morbidamente cômicas para ilustrar que o universo literalmente usa suas forças para corrigir o curso das coisas. Os conflitos entre a tripulação são interessante, assim como a motivação da protagonista, mas nada supera os choques que o universo dá nos personagens. Situações tão ou mais absurdas (porém divertidas) a la Alien, possivelmente até com um nível de homenagem.

O desfecho é igualmente chocante, redondinho e promissor. A franquia se estabelece nas sutilezas apenas na sua divulgação. Dentro da trama, a escala é grande, com consequências permanentes e uma qualidade comparável ao tamanho dos seus monstros. Aliás, você nunca pensou que seria bom ver um filme de monstro em que mal aparece o monstro. Bom, Cloverfield já entregou três, e eu quero mais.

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