Crítica | Jogo Perigoso

02/10/2017 às 12:27hs

Stephen King talvez seja um dos autores que mais entenda da psique humana quando o assunto é medo. Usando metáforas ou sendo literal, o escritor sabe expor a fragilidade da nossa existência frente a situações traumáticas ou simplesmente apavorantes.

Essa capacidade de King nos trouxe obras que usam as mais variadas táticas para dar medo, seja o sobrenatural ou o mundano.

Das muitas obras do autor, Jogo Perigoso (Gerald’s Game) é uma das poucas que conheço que seguem uma linha mais realista. Na trama, um casal com problemas no casamento vai para uma casa de campo isolada de tudo, na esperança de apimentar a relação e dar novo fôlego ao casamento. Assim, o marido algema a esposa à cama e, durante o ato, tem um mal súbito, deixando a mulher presa e sem nenhuma ajuda para sair daquela situação.

Apesar da bizarrice, a situação é passível de realmente acontecer a todos, mas o absurdo dessa possibilidade e o desespero em volta dela montam a tensão inicial da trama. Mas é aí que o filme engrena numa viagem diferente do esperado. Filmes como Enterrado Vivo e 127 Horas levam também essa premissa de manter o seu protagonista preso em uma situação sem um socorro fácil, e por tudo que estava na tela até então, o filme parecia que iria seguir por esse caminho. Felizmente, não era a ideia.

O filme muda a visão e passa a nos contar a história do jeito que Stephen King gosta de fazer: explorando os medos individuais. Em uma situação específica como essa, todos os medos que pertencem só àquela pessoa afloram e se transformam num real terror, que certamente não atingiria outra pessoa da mesma forma.

Mesmo o filme não tendo atuações brilhantes, Carla Gugino (Sucker Punch) entrega uma atuação decente e satisfatória dentro da proposta, já que a real estrela do filme é a sua situação e o desenrolar dos pensamentos da personagem.

Apesar de não se vender como tal, Jogo Perigoso é um filme que arranha o terror no bom e velho estilo de King, com as bizarrices e até easter eggs, mas deixando claro que nada é mais assustador do que os monstros que criamos em nossas mentes.

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