7 filmes para inspirar artistas

11/06/2017 às 23:40hs

Mesmo antes de Ricciotto Canudo determinar o cinema como “Sétima Arte” em 1912, os filmes sempre foram verdadeiras fontes de inspiração para artistas de diversas áreas. Os temas abordados e as diversas possibilidades cinematográficas proporcionaram um mergulho e um aprofundamento nas tradicionais Sete Artes (música, artes cênicas, pintura, escultura, arquitetura, literatura e o próprio cinema). Para ajudar a inspirar os novos artistas, nós da Império42 selecionamos um filme recente pra cada uma das sete artes tradicionais. Viva a cultura, viva a inspiração, viva a arte…

 

Musica| Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, 2014)

Mesmo antes de ganhar um Oscar por “La La Land” no começo desse ano, o jovem diretor Damien Chazelle já demonstrava muito talento com o seu filme anterior. “Whiplash” conta a história Andrew Neyman (Miles Teller), um jovem estudante de musica que sonha em se tornar o maior baterista do mundo. Mas para isso ele deve enfrentar os métodos desumanos de seu professor, Terence Fletcher (J.K. Simmons), um homem bruto e extremamente exigente. O longa é uma experiência musical única, com sequencias energéticas e bem editadas, mostrando todo o talento, dedicação e a fúria da personagem principal. A atuação de Miles Teller é impressionante, o jovem ator toca bateria de verdade nas cenas do filme, e não fica atrás de nenhum músico profissional, mas quem rouba a cena é J.K. Simmons, que construiu um professor de música assustadoramente carismático, o que fez com que o ator levasse o primeiro Oscar de sua carreira. O filme também recebeu estatuetas na categoria de Melhor Montagem e Melhor Mixagem de Som, além da indicação de Melhor Filme.

 

Artes Cênicas| A Pele de Vênus (La Vénus à la Fourrure, 2013)

Mesmo com poucos filmes no currículo, o francês Roman Polanski é considerado um dos grandes ainda em atividade. Sua filmografia é bem variada, vai do clássico horror “O Bebê de Rosemary” de 1968 até a aventura “Piratas” de 1986; Do grande épico de guerra “O Pianista” até esse pequeno filme “A Pele de Vênus”. O filme se passa durante a audição de um diretor de teatro, Thomas Novachek (Mathieu Amalric), que está em busca de uma atriz para sua nova peça. Já no fim do dia, durante uma forte chuva, uma nova candidata aparece para fazer o teste, Vanda Jourdain (Emmanuelle Seigner). O problema é que Vanda parece querer mais do que apenas o papel na peça, e abusa de sua sensualidade (e um pouquinho de loucura) para colocar Thomas e todos os homens do mundo nos seus devidos lugares. O longa tenta o tempo todo referenciar o teatro, não apenas no enredo, mas sua estética incomum que fazem o espectador pensar que está assistindo a uma peça de teatro filmada. A edição do filme se resume a longos planos sequencias de diálogos, quase sem cortes. É como se a 1 hora e 33 minutos da duração do filme, fossem 1 hora e 33 minutos dentro da história do filme. A trilha sonora é quase ausente e só toca no começo e no final, o que aumenta a sensação de teatralidade dentro do filme.

 

Pintura| Grandes Olhos (Big Eyes, 2014)

Tim Burton é um dos diretores mais influentes e populares do cinema atual e mesmo com uma carreira bem diversificada, todos os cinéfilos devem ter ao menos um filme de Tim Burton guardado na memória. E como todo cineasta de sucesso, Burton tem autoridade pra fazer filmes mais independentes e de baixo orçamento de vez em quando. Assim surgiu “Grandes Olhos”, drama que conta a história real do casal de pintores Margaret (Amy Adams) e Walter Keane (Christoph Waltz), que ficaram conhecidos entre os anos 50 e 60 pelas pinturas de quadros com crianças de olhos grandes. Apesar de Margaret ser a verdadeira artista por trás das exóticas obras, era seu marido quem levava o credito pelas pinturas. O que levou a uma longa disputa judicial depois do divórcio do casal. Apesar de ser um filme pequeno e simples na carreira de um diretor tão cultuado, “Grandes Olhos” é o paraíso para amantes de pintura. As técnicas de desenho e teorias sobre pinturas são sempre mostradas nos diálogos, além das exposições de diversos quadros. A vida e as dificuldades de um pintor são o tema principal do filme, assim como a fraude e o machismo.

 

Escultura| Butter: Deslizando na Trapaça (Buttler, 2011)

Apesar de sua importância histórica, a arte da escultura nunca foi um tema frequente no cinema, e poucos longas trataram do assunto. O mais conhecido talvez tenha sido o terror “Museu de Cera” de 1953, que ganhou um remake em 2005. Mas a arte da escultura não pode ser associada apenas com o horror, a comédia Butter é a prova disso. Dirigido por Jim Field Smith, Butter conta a história de Laura Pickler (Jeniffer Garner), que é casada com o campeão de esculturas de manteiga Bob Pickler (Ty Burrell). Quando Bob decide que não vai mais competir, Laura se desespera e decide assumir o lugar do marido da competição. Mas apesar do talento de Laura, uma concorrente a altura surge, Destiny (Yara Shahidi), uma garota negra e órfã de 10 anos de idade que vive com seus pais adotivos. A comédia mostra até onde uma pessoa pode chegar para vencer uma competição, e as razões que a levam para tanto. Mas para os amantes de escultura, o filme tem um valor a mais, pois é repleto de belas peças e cenas que mostram a confecção das obras.

 

Arquitetura| A Origem (Inception, 2010)

Christopher Nolan é um dos maiores cineastas e seu tempo, alcançado o gosto de publico e critica com seus filmes sérios, realistas e autorais. Talvez “A Origem” seja a coroação do cinema de Nolan, e mesmo que o longa não tenha alcançado a popularidade de “Batman: O Cavaleiros das Travas”, o filme pode ser considerado o que melhor define o trabalho de Nolan como diretor. A história gira em torno de Cobb (Leonardo DiCaprio), um criminoso especializado em roubar informações direto da mente das pessoas. Pra isso, ele usa uma tecnologia que permite invadir os sonhos de suas vitimas durante o sono. Mas a vida de Cobb muda quando ele recebe a proposta do empresário Saito (Ken Watanabe) para um último serviço, mas ao invés de roubar, ele deverá implantar uma ideia na mente de Richard Fischer (Cillian Murphy), o herdeiro de uma grande empresa rival de Saito. O filme se tornou um fenômeno entre os cinéfilos do mundo todo e deixou muita gente confusa com o seu misterioso final e com a sua história absurda. As possibilidades criativas da tecnologia apresentada no filme deixaram o público encantado. Imagine só poder visitar um mundo só seu, onde é possível construir tudo o que a sua mente desejar, edifícios, ruas, monumentos… O sonho de qualquer arquiteto.

 

Literatura| Animais Noturnos (Nocturnal Animals, 2016)

Dizem que um bom livro é aquele que prende o leitor até o final. Por essa razão, histórias com mistério e suspense costumam ser bem populares na literatura. Pensando nisso, um belo exemplo de filme recente para representar a literatura é “Animais Noturnos”, dirigido por Tom Ford. Baseado no romance “Tony and Susan” de Austin Wright, o filme conta a história de Susan Morrow (Amy Adams), uma negociadora de arte que vive em um casamento difícil. Mas quando ela recebe uma cópia do novo livro de seu ex-marido, o escritor Edward Sheffield (Jake Gyllenhaal), ela começa a repensar se as decisões que tomou na vida foram as melhores, e também começa e identificar traços de seu primeiro casamento no livro. Umas das coisas que um bom leitor sempre diz é que as vantagens de um livro sobre um filme, é que o livro te permite imaginar as cenas, o que faz com que cada leitor possa ter um entendimento diferente de uma mesma obra. Esse sentimento é mostrado no filme com a protagonista Susan, que imagina o seu ex-marido dentro da história que ele escreveu, e isso faz com que ela não pare de pensar no livro e em seu antigo casamento, que através da obra de Edward, se mostra um bem que Susan deixou para trás.

 

Cinema| A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)

A sétima arte é sem duvidas uma das mais inspiradoras, talvez seja pelo seu potencial de entretenimento. O cinema é imagem, som, cor, musica, história e muito mais, é uma arte que consegue abranger outras. Por essa razão, muitos diretores de cinema não resistem em prestar homenagens para suas obras favoritas dentro de seus filmes. Quentin Tarantino já havia feito isso em “Kill Bill Volume 1” de 2003, assim como J.J. Abrams em “Super 8” de 2011. Mas o que Martin Scorsese fez em “A Invenção de Hugo Cabret” foi além de tudo isso, aqui o diretor optou por homenagear a história do cinema como um todo. O filme, que é baseado no livro de Brian Selznick, nos apresenta à Hugo Cabret (Asa Butterfield), um garoto órfão que vive escondido em uma estação de trem em Paris durante os anos 30. Um dia ele conhece Isabelle (Chloë Grace Moretz), uma jovem apaixonada por livros, que é neta de Georges Méliès (Ben Kingsley), o homem responsável por popularizar o cinema anos atrás. O filme é uma reimaginação da vida e carreira de um dos maiores gênios do cinema, Georges Méliès, que foi responsável pelos primeiros filmes de ficção e os efeitos visuais, e pioneiro no cinema como conhecemos hoje em dia. Martin Scorsese usou tudo o que a tecnologia atual oferece para relembrar da simplicidade com a qual o cinema nasceu e deu os seus primeiros passos há mais de 100 anos.

 

E pra você? Qual é o filme que te inspira como artista?

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