A fauna de O Rei Leão

Curiosidade sobre os animais e cenários que inspiraram o clássico da Disney

19/08/2019 às 23:59hs

Completando 25 anos em 2019, O Rei Leão é um marco na história das animações e do cinema, gerando uma expectativa colossal para o remake dirigido por Jon Favreau.

Com o lançamento da tão aguardada produção, a Disney aproveitou para criar uma campanha de preservação dos leões e da fauna africana.

Chamada Protect the Pride (Proteja o Orgulho, em tradução livre), a iniciativa foca na proteção e revitalização da população de leões.

Na campanha, a Disney apoia o Fundo de Recuperação do Leão (LRF, na sigla em inglês) da Wildlife Conservation Network (WCN), que visa dobrar a população de leões na África até 2050 por meio de esforços que engajam as comunidades.

Tendo em mente essa parceria entre arte e natureza, selecionamos algumas curiosidades interessantes sobre a biologia e dos principais personagens de O Rei Leão: Os animais!

O Bioma:

Comparação entre o parque Masai Mara com as Terras do Rei
Comparação entre o parque Masai Mara com as Terras do Rei

Não é mencionado em que região do continente africano se passa a trama de O Rei Leão, contudo, a reino de Mufasa foi inspirada na savana do Quênia, na África Oriental, mais precisamente no Parque Masai Mara, o mais famoso do Quênia.

A vegetação de savana é a que predomina em Masai Mara, mas em algumas regiões do parque e do Quênia, também possui uma vegetação de savana-estépica (onde Timão e Pumba conhecem Simba ainda filhote) e também regiões próximas a grande rios e lagos, onde a vegetação é mais abundante (o local onde Timão e Pumba moravam).      

Leões:

Comparação de Simba com um leão real
Comparação de Simba com um leão real

A primeira coisa a se notar na representação dos leões (Panthera leo) é a hierarquia social dos animais, tendo o macho (Mufasa) como líder e soberano, cuja a função é defender o território. 

As fêmeas são responsáveis pelo trabalho difícil, que é caçar! E isso também é mostrado no filme, quando Scar assume o poder e cobra alimento das leoas.

O que não faz muito sentido é a relação de Mufasa e Scar, pois dificilmente um grupo de leões possuem mais de um macho adulto. Na natureza, um leão macho deixa o grupo após chegar à fase adulta. Ele passa a vagar sozinho em busca de um novo grupo, do qual enfrenta o líder em uma batalha violenta. Caso vença, ele assume o grupo e como primeira providência, mata todos os filhotes, a fim de aniquilar a prole de seu antecessor.  

Em uma das primeiras versões do roteiro, Scar e Mufasa não seriam irmãos, de forma a buscar mais fidelidade com a natureza. Scar seria apenas um leão rejeitado de outro grupo, tramando contra o rei.

Caso a natureza fosse respeitada ao pé de letra, Scar teria matado Nala e os outros filhotes assim que assumisse o trono, o que não seria nada agradável aos olhos familiares dos fãs da Disney.

Apesar de suavizar a biologia comportamental desses animais, a Disney manteve algumas características interessantes, mas de forma pouco explícita, por exemplo, a rivalidade cruel entre leões e hienas, e a bizarra, porém real, relação entre macho e fêmeas. Já parou pra pensar que Mufasa dorme em uma caverna com diversas fêmeas? Pois bem, na natureza o leão macho possui várias fêmeas se e reproduz com todas, ou seja, Nala e Simba provavelmente são irmãos por parte de pai.

Javali e Suricati:

Comparação de Timão e Pumba com um Javali e um suricati real
Comparação de Timão e Pumba com um Javali e um suricati real

Timão e Pumba são uma das duplas cômicas mais icônicas do cinema, e muito do carisma da dupla vem justamente da inusitada aliança entre dois mamíferos completamente diferentes: Timão é um Suricati (Suricata suricatta), um herpestídeo parente dos mangustos, enquanto Pumba é um javali-africano (Phacochoerus africanus), também conhecido como facoceiro ou warthog.

A única característica comportamental em comum entre essas duas espécies talvez seja a vida social, já que suricati e javali normalmente vivem em grupos familiares.

Unir um javali e um suricati seria uma metáfora para pessoas abandonadas por suas famílias e que decidem se unir e formar sua própria família, o que fica mais evidente com a entrada de Simba no grupo, que também pertencia a um grupo familiar e foi rejeitado.

Fora a inusitada parceria entre os três animais, principalmente se considerado que javalis são presas comuns para os leões, chama a atenção a dieta de Pumba, que se alimenta de invertebrados (“Viscoso, mas gostoso”), já que javalis possuem uma dieta comumente herbívora.    

Mandril:

Comparação de Rafiki com um mandril real
Comparação de Rafiki com um mandril real

Rafiki, o macaco amigo, é uma espécie de mestre religioso do reino de Mufasa, representado em tela por um mandril (Mandrillus sphinx), uma espécie de macaco parentes dos babuínos.

Provavelmente, o mandril tenha sido o animal mais mal adaptado, em termos realísticos de todo o filme.

A primeira grande diferença entre Rafiki e um mandril de verdade está na localização geográfica, já que, por mais que o Reino de Mufasa não possua uma localização real, é muito pouco provável que um mandril, que habita as florestas tropicais do sul de Camarões, Gabão, Guiné Equatorial e Congo, vivesse próximo de uma região de savana. Menos provável ainda que viajasse centenas de quilômetros só para visitar a savana.

Calau:

Comparação de Zazu com um calau real
Comparação de Zazu com um calau real

Acredite se quiser, mas Zazu NÃO é um tucano, já que essas aves, classificadas no grupo ramphastidae, são típicas das florestas tropicais da América do Sul, bem longe das savanas africanas.

Zazu na verdade é um Calau de Bico Vermelho (Tockus erythrorhynchus), uma ave do grupo bucerotiformes, comuns em regiões da África e Ásia.

Hienas:

Comparação de Shenzi com uma hiena real
Comparação de Shenzi com uma hiena real

As hienas representadas em O Rei Leão são da espécie malhada (Crocuta crocuta), comum nas regiões de savana na África, inclusive no parque Masai-Mara, no Quênia.

As rivalidade hienas e leões que é abordada no filme é real, já que ambas as espécies competem pelas mesmas presas e nas mesmas trilhas de caça.

Os conflitos com os leões podem ser bem equilibrado, pois mesmo que mais fracas que seus rivais, as hienas possuem um trabalho de equipe superior, coordenando os ataques de forma a encurralar a vítima, além de que possuem uma mordida poderosa e uma velocidade considerável, chegando a ultrapassar os 60km/h.

Outra particularidade mostrada no filme que possui fundamento na natureza é o grande número de indivíduos que vivem no grupo, já que as hienas malhadas, assim como os leões, vivem em sociedade, lideradas por uma fêmea líder, mas diferentes dos leões, a fêmea líder permite que outras fêmeas adultas convivam no grupo.

Apesar de violentas quando atacam, os macho, que são consideravelmente menores que as fêmeas, são dóceis e facilmente domesticáveis se criados desde filhotes. 

Um “pequeno” erro de geografia:

Comparação entre tamanduá real e os do filme
Comparação entre tamanduá real e os do filme

Com exceção de alguns biomas e distribuição geográfica, no geral O Rei Leão é bem fiel à fauna africana. Contudo, uma pequena aparição em um determinado ponto do filme chama a atenção.

Na cena musical de “I just can’t wait to be king” (O que eu quero mais é ser rei), aparece um pequeno grupo de tamanduás-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), que apesar de serem animais predominantemente de ambientes de savana, os tamanduás habitam em regiões tropicais bem longe do solo africano.

Os tamanduás-bandeira vivem na américa do sul, e são ícones da fauna brasileira, habitando do Cerrado, que é considerado como a savana brasileira.

Considerando o fato da cena ser completamente alegórica e figurativa, pode-se afirmar que o animal aparece em cena apenas como elemento artístico, longe de ser um erro de pesquisa e retratação de vida selvagem.

Leia a critica de o Rei Leão (2019)

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