A gente precisa de dois Coringas?

21/06/2018 às 12:59hs

A DC Comics é detentora de um panteão de personagens que são conhecidos e importantes no mundo inteiro. Heróis ou vilões,  eles contribuíram muito para o reconhecimento dos quadrinhos como mídia e também quando aconteceram as primeiras adaptações de quadrinhos ao cinema, onde o Superman de Christopher Reeve reinou absoluto nos anos 70.Apesar de ter sido pioneira nesse tipo de adaptação, a editora vem batendo cabeça nos últimos anos, mesmo tendo uma infinidade de boas histórias e de gente competente que poderia conduzir seus projetos. Alguns nomes já produziram materiais de sucesso, mas ainda assim, não são aproveitados na divisão de cinema da empresa. Pelo menos não como deveriam.

É o caso de Bruce Timm, que adaptou ótimas animações como Batman: O Cavaleiro das Trevas, Batman: Ano Um e a série animada da Liga da Justiça, entre vários outros. Por que ainda não foi dada a ele uma oportunidade nas telonas? A resposta é indigesta. Os manda-chuvas da Warner enxergam esses personagens como caça-níqueis, e apesar de saberem que qualidade gera dinheiro, eles preferem confiar nas tentativas mais desvairadas, sem ao menos criar um universo coeso.

E quando parece que temos uma saída animadora com Matt Reeves assumindo o roteiro e a direção do próximo filme do Batman, o estúdio resolve mais uma vez inventar uma solução mirabolante. Aparentemente para o estúdio, ainda há salvação para o Coringa interpretado por Jared Leto, mas também há espaço para um novo, que será interpretado por Joaquin Phoenix. E também segundo os boatos, os dois terão filmes solos. FILME SOLO DO CORINGA? F-I-LM-E-S?

Vou explicar a minha indignação, Rogerinho. Existem vilões, e existe o Coringa. Ao lado de Darth Vader, o palhaço do crime é um dos malfeitores mais influentes de todos os tempos, e não há como fazer um filme solo de um personagem sem que o público não torça ou ao menos simpatize com o protagonista. Sendo assim, adaptar o Coringa (Jared Leto ou Joaquin Phoenix) é tirar mais uma vez a força do Batman no cinema. Isso porque a trilogia de Christopher Nolan, competentíssima por sinal, ficou marcada quase que exclusivamente pela versão antológica do vilão vivido por Heat Ledger, não pelo seu herói. Junte a isso outro importante fator: com Ben Affleck permanecendo ou não no papel, o personagem está enfraquecido pelas últimas e problemáticas adaptações.

Depois de um filme solo, o Coringa pode aparecer menos vilanesco quando de fato enfrentar o morcegão, e pronto, a armadilha estaria mais do que ativa. Não estou dizendo que não pode funcionar, mas dado o histórico recente, a chance de erro é enorme.

Outro problema: como encaixar dois Coringas no mesmo universo? Meu palpite óbvio é o uso do palhaço vivido por Leto como o ex-Robin Jason Todd. Quando surgiram as primeiras imagens do vilão, antes mesmo da estreia de Esquadrão Suicida, essa era a teoria mais aceita. Com essa opção, o vilão de Phoenix seria quase que um mentor desse “Kid Coringa”. Pode funcionar? Pode, mas precisa de mãos sensatas e inspiradas para tornar a história única e respeitar o legado dos personagens de Gotham City.

O fato é que enquanto o filme dos Lanternas Verdes espera e a sequência de Homem de Aço não amadurece, a Warner quer fazer a aposta menos sensata. Vamos torcer que funcione, finalmente.

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