Aquaman | Crítica

13/12/2018 às 16:30hs

Primeiro filme da nova fase da DC impressiona pelo espetaculo visual

 

A primeira fase do Universo Estendido DC foi um tanto controversa, com filmes que dividem opiniões até hoje.

O Homem de Aço (Man of Steel, 2013), teve uma repercussão morna, mas positiva; Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016) foi o mais controverso de todos, mesmo que tenha arrecadado a maior bilheteria; Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016) sofreu com refilmagens modificações durante a sua pós-produção, o que resultou em um filme problemático; Mulher Maravilha (Wonder Woman, 2017) cai nas graças do público e da crítica e é considerado um dos melhores filmes DC de todos os tempos; e Liga da Justiça (Justice League, 2017) que mesmo não sendo tão controverso e problemático como seus antecessores, teve uma bilheteria muito abaixo do esperado e foi criticado por sua falta de ousadia.

Aquaman, sexto filme do Universo Estendido DC, vem após um intervalo de quase um ano desde Liga da Justiça e prometia ser um filme mais fechado dentro de sua própria mitologia, seguindo assim o caminho de Mulher-Maravilha, que mesmo integrando um universo cinematográfico compartilhado, não faz questão de lembrar o público disso o tempo todo.

A trama aborda as origens de Arthur Curry (Jason Momoa) e os eventos posteriores a Liga da Justiça (Sim! Lobo da Estepe é mencionado). Arthur, que é filho de um humano (Temuera Morrison) com a rainha Atlanna de Atlantis (Nicole Kidman), vive na terra, mas sempre a beira do mar, resgatando náufragos e combatendo a pirataria, feitos esses que o levaram a ficar conhecido como Aquaman.

Sua vida relativamente pacata é atrapalhada quando Mera (Amber Heard), princesa de um dos reinos marinhos, aparece para alertar Arthur de que seu irmão mais novo Orm (Patrick Wilson), atual rei de Atlantis, planeja um ataque contra os povos da superfície em retaliação à poluição dos mares e à pesca predatória descontrolada.

Para impedir a guerra, Arthur e Mera partem em busca de um tesouro perdido de outra era: O tridente dourado do primeiro rei dos oceanos. Instrumento que só pode ser possuído por um verdadeiro rei.        

Entre os personagens, o maior destaque são os vilões. Rei Orm, que também é conhecido como Mestre dos Oceanos, é um personagem bastante imponente e um vilão com uma motivação relevante: ele é praticamente um ambientalista radical, que luta contra a forma desregrada como os povos da superfície trata os oceanos. Patrick Wilson atua de forma um tanto maléfica, mas sem muitos exageros, fazendo do Rei Orb um personagem completo.

O outro vilão do longa é Arraia-Negra (Yahya Abdul-Mateen II), que é um pirata que busca se vingar de Aquaman. Sua motivação também é ótima e nos faz pensar se de fato o vilão está errado em sua busca por vingança, já que ele tem bons motivos para tanto.

Os demais personagens estão bem. O protagonista aqui presente foi perfeitamente escalado por um ator que parece super a vontade dentro de seu personagem, o que não é nenhuma surpresa considerando que Jason Momoa já parece interpretar esse mesmo personagem em seu dia a dia.

Willem Dafoe interpreta Nuidis Vulko, que é um daqueles clássicos personagens sábios e experientes, que aparecem nas histórias para ensinar o jovem herói. Dolph Lundgren, que interpreta o Rei Nereus, não é um grande destaque na trama, mas é interessante ver um astro dos filmes de ação em um papel tão cartunizado e colorido como este.

Nicole Kidman e Temuera Morrison protagonizam uma história de amor genuina, que possui o seu romantismo, mesmo que ambos apareçam pouco no filme.      

O ponto baixo da trama talvez seja Amber Heard, que por mais que interprete uma personagem importante dentro da trama, a atriz parece um tanto desconfortável no papel, o prejudica principalmente a química entre o casal principal. Sem contar que seu visual é o que aparenta ser o menos natural, principalmente quando observamos a coloração de seu cabelo.

Entre os triunfos do filme, pode se dizer que o maior deles é o visual, que pode ser comparado a uma mistura de Star Wars, Avatar e Valerian. A construção de mundo é riquíssima em detalhes que mostram a complexidade dos Sete Reinos do Oceano, cada um com suas particularidades de design de ambientação, caracterização de seus habitantes e variedades de suas criaturas. Um verdadeiro espetáculo que enche os olhos.

Outro grande mérito do filme são as cenas de ação, que podem ser divididas em dois tipos: As grandiosas, repleta de efeitos visuais de ponta que garantem um espetáculo visual como poucas vezes vistas antes em filmes de heróis. O outro tipo são as cenas de luta e perseguição mais terrenas, que são dominadas por movimentos de câmeras inventivos, planos sequências e takes longos, que impressionam e não deixa os espectadores perdidos durante as lutas. Mérito do excelente diretor aqui presente: James Wan.

Além do sensação de desconexão com os demais filmes da franquia, outra herança deixada de Esquadrão Suicida, Mulher Maravilha e Liga da Justiça é o tom, que foi muito questionado nos primeiro longas da franquia. Agora, a DC é colorida e divertida, mas sem deixar de ser grandiosa e imponente. Se os próximos filmes da DC continuarem a usar dessa fórmula, certamente a franquia não será tão questionada e divisiva com seus fãs.       

O filme possui alguns problemas em relação à exposição de roteiro, já que muitas informações são apresentadas de forma pouco natural, claramente vemos os personagens explicando para o público o contexto da história e daquele mundo, quando todos os personagens presentes na cena já sabem de tais informações.  

Aquaman é divertido, colorido e brega, ao mesmo tempo em que consegue ser imponente, grandioso e visualmente espetacular. Certamente estamos diante de um dos melhores filmes do Universo Estendido DC.

Agora nos resta aguardar pelo futuro e ver se os próximos longas vão manter esse mesmo tom e quem sabe um dia, teremos o prazer de rever a Liga da Justiça nas telas outra vez.

 

OBS: O filme só tem um cena na metade dos créditos que é ok, mas que dá uma breja para futuros filmes solo do Aquaman.

 

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