Crítica | 13 Reasons Why

02/04/2017 às 13:49hs

“O mundo anda chato”. Essa é uma frase que a gente vem escutando muito recentemente, questões ideológicas sempre vão gerar discussões e não há nada de errado nisso. Porém, as pessoas andam passando por cima de tudo e de todos para se eximir da culpa ou da responsabilidade sobre qualquer aspecto. Inicialmente, essa é a premissa de “13 Reasons Why”, nova série da Netflix baseada no livro homônimo de Jay Asher, de 2007.

Hannah Baker (Katherine Langford) comete suicídio, mas deixa 13 fitas cassete com as razões pelas quais tomou essa decisão, e cada fita é relacionada a uma pessoa. Acompanhamos a jornada dos jovens tendo acesso às fitas através de Clay (Dylan Minnete), que as recebe após alguns outros colegas já terem ouvido, conforme as instruções deixadas por Hannah.

A série se inicia com contornos de drama adolescente genérico, mas pouco a pouco vai ganhando substância, dando base a uma trama que vai envolver o espectador de tal forma que a agonia se torna real. É possível sentir na carne a dor de Hannah.

É raro saber de início o desfecho de uma história, e saber que não há final feliz já é por si só deprimente, mas a jornada até lá mostra o quanto precisamos estar atentos às pequenas coisas. Cada gesto, cada palavra , tudo pode trazer alguma angústia à tona e começar a destruição de um indivíduo.

O elemento narrativo também é muito importante na série, e se utiliza de algumas frases que dão sentido aos acontecimentos seguintes. Em um dado momento do início da trama, Hannah cita o Efeito Borboleta, quando uma borboleta bate asas e pode causar um furacão a quilômetros de distância. Mas quanto mais perto a borboleta está, nesse caso, mais devastador é o seu efeito. As atuações dos jovens da série são verossímeis o suficiente para entendermos os efeitos que a decisão de Hannah causa em cada um deles. Há mais do que só o estereótipo aqui, o valentão do colégio, o capitão do time de basquete, o stalker, a líder de torcida, todos são colocados em perspectiva para revelar algo que nunca percebemos: cada um vive o seu próprio drama, mesmo que não o mostre.

O bullying é sim o tema inicial da série, mas ela se recicla em si mesma e mostra a profundidade triste disso tudo. A história é sobre abuso nas suas mais variadas formas, sobre assumir sua cruz e seguir em frente, ou não. A culpa à qual cada um dos personagens é exposto tem potencial devastador em suas vidas. É real e acontece todos os dias, e muitas vezes não agimos, pois não percebemos, julgamos normal.

Claro, a série tem seus defeitos, romantizando demais situações simples em alguns momentos, mas a discussão e o impacto gráfico de algumas cenas são o suficiente para compensar isso e dar um soco nos nossos estômagos, e não se engane, nós merecemos esse soco.

Uma das últimas frases de Clay na série retrata o real intuito dessa obra da ficção: “precisamos melhorar a forma que cuidamos um do outro nessa cidade”. E por cidade, entenda nesse mundo.

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