Crítica | Velozes e Furiosos 8

25/04/2017 às 14:14hs

A franquia Velozes e Furiosos merece reconhecimento, pois dentro de um mercado que se satura facilmente, conseguiu se reinventar em si mesma e hoje chega ao oitavo filme, com planos até o décimo. Com uma estética e ideias totalmente diferentes do primeiro, atualmente a franquia é sinônimo de brucutus se socando à moda antiga, humor e cenas impossíveis.

Após a morte de Paul Walker em 2013, parecia difícil prolongar o fôlego da fórmula por muito mais tempo, e de fato era, mas a Universal soube resgatar dentro de si própria o combustível para continuar. A série não se leva a sério e se mostra quase uma comédia de ação nos seus últimos 4 filmes. Com a família como pano de fundo, Velozes se readequou após o 4º filme e a partir disso se reciclou.

É notório que o oitavo filme sofreria para lidar com a ausência de Brian O’Conner (Paul Walker) na trama após a saída honrosa dada ao seu personagem em Velozes 7. Mesmo assim, a família ainda é tema aqui, quando Dom (Vin Diesel) se volta contra sua equipe e passa a trabalhar com a cyberterrorista Cypher (Charlize Theron). Apesar de ainda usar o tema, o longa apresenta alternativas ao drama que já foram usadas antes, porém de forma diferente.

A relação entre Hobbs (The Rock) e Deckard Shaw (Jason Statham) é hilária e cheia de piadas depreciativas. Talvez seja a relação melhor trabalhada no filme. Tej (Ludacris) e Roman Pierce (Tyrese Gibson) continuam sendo os alívios cômicos, mas dessa vez quase sempre com piadas envolvendo Megan (Nathalie Emmanuel), o que acaba sendo um pouco cansativo. Já Charlize entrega uma vilã melhor trabalhada do que os seus antecessores, mesmo tendo 90% (ou mais) de suas cenas num mesmo lugar ou em ambientes parecidos. A equipe da vilã também não convence, nem mesmo Rhodes (Kristofer Hivju, o Tormund de Game of Thrones) se mostra uma ameaça. Basicamente, não há nenhuma equipe para combater Toretto caso ele se volte contra a vilã.

Mas já faz algum tempo que Velozes não é sobre história e vilões. A saga é sobre a família de Toretto e cenas de ação impossíveis e surreais. Já tivemos um cofre cruzando o Rio de Janeiro, uma corrida com um avião cargueiro, carros saltando de paraquedas e saltando entre prédios. Agora, um submarino compete contra os super motores dos heróis, além de descobrirmos que o GPS dos carros modernos podem os transformar em zumbis, se uma hacker tão habilidosa quanto a vilã do longa quiser. São conceitos novos e extremamente interessantes de se assistir.

Um ponto a se destacar aqui é a inclusão do personagem de Scott Eastwood, que apesar de ter alguns bons momentos de humor com Roman Pierce, parece estar ali unicamente para substituir Brian na trama. Do biotipo à origem policial, e até ao fato de ser um bom piloto, o personagem parece ser um O’Conner 2.0. Talvez sejam atribuídas a ele as cenas de ação planejadas para Paul Walker nos próximos dois filmes.

A sensação que fica ao fim de Velozes 8 é a de que a fórmula está se desgastando, mas talvez ainda haja fôlego para terminar no décimo filme. A fórmula diverte, surpreende com suas cenas e emociona com o conceito familiar, mas não se sabe até onde vai funcionar. É um bom começo de um final que, se continuar brincando com o impossível, vai terminar com uma corrida entre naves no hiperespaço.

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