E se o Batman for só imaginação?

10/10/2019 às 12:00hs
O Coringa de Joaquin Phoenix em cena dentro do elevador
[ATENÇÃO! O TEXTO ABAIXO ESTÁ CHEIO DE SPOILERS!]

Fazer um estudo de personagem requer muita dedicação, capacidade analítica e principalmente empatia para encontrar dentro desse personagem suas razões, motivações e dores. Por isso, o desenvolvimento de Coringa acontece de maneira tão poderosa. O filme é aberto a várias interpretações, e nem mesmo o seu diretor, Todd Philips reconhece um final específico, mas sim vários delírios e verdades de uma mente em crise existencial e ignorada sumariamente pela sociedade.

Arthur Fleck é um personagem que consegue de fato contar sua história através dos seus olhos, mas até que ponto seus olhos enxergam a realidade? Aliás, qual é a verdade mais importante: a sua ou a do próximo?

É bastante complicado avaliar o filme através desse discurso de empatia, já que a maior parte de seu discurso é focado na violência, tanto psicológica, através das ações da sociedade e da opressão sobre os mais pobres, tanto a violência física, sofrida e aplicada por Arthur.

LEIA TAMBÉM | COMO UM FILME PODE SER IRRESPONSÁVEL?

É por conta disso que tenho dificuldade enxergar o filme como um estudo de personagem, já que guardados alguns detalhes, a trama poderia ser a respeito de qualquer outra pessoa comum sob esse nível altíssimo de desprezo e doença mental. 

Philips aliás parece brincar com esse conceito o tempo todo, já que nunca sabemos o que é ou não delírio do protagonista, e nem signos visuais nos apontam sinais do que é verdade ou não. Se formos considerar que tudo se passou na mente dele, então qualquer pessoa vítima de uma doença mental naquele grau pode construir a mesma história em sua mente. Porém, somente uma mente tão doentia e sádica como a de um vilão como Coringa poderia construir aquele nível de caos em uma realidade.

A “piada ruim” do final é aberta a diversas interpretações, e é isso que torna o filme tão marcante e diferente. Pode ter sido tudo imaginação, ou parte das coisas foi, mas nada tira a potência de uma mente distorcida e doentia como a de Arthur. 

O Batman só existe na cabeça do Coringa?

Graças a essa possibilidade aberta do filme, podemos criar teorias e interpretações que funcionem individualmente para nós. Com base nisso, o Batman pode existir somente na cabeça do Coringa. 

Analisando o filme, vemos que as ações extremas tomadas pelo Arthur, aliadas ao seu discurso, formam um senso de justiça meio esquisito e que tenta consertar o caos através dele mesmo e da vingança contra seus opressores. 

Por conta desse próprio senso de propósito que o personagem constrói ao longo da trama, diversas hipóteses e imaginações podem ser construídas na mente dele com base nisso e nas reações externas. 

Thomas e Martha Wayne foram realmente mortos na frente do filho, virtual irmão de Arthur. Sendo assim, Bruce também pode ser visto pelo agora Coringa como uma vítima da transformação que ele mesmo causou, e buscar internamente algo que valide o trauma que ele causou ao garoto. 

Assim como ele, Coringa, é um vetor do caos e da transformação, Bruce também pode ser. Portanto, a “piada ruim” do final pode ser, na verdade, Arthur imaginando que criou o Batman, mas ele nunca existiu de fato. O herói pode ser justamente essa distorção de justiça ao garoto Bruce Wayne, já que o próprio Arthur agora sabe do que sofreu na infância, e precisava justificar pra si mesmo o sentimento que causou ao menino.

Como já disse anteriormente, é tudo uma questão de interpretação, e essa é uma das minhas. O que você acha? 

AINDA NÃO VIU O TRAILER? CONFERE AÍ EMBAIXO!

Conteúdo Relacionado