Homem-Aranha no Aranhaverso | Crítica

28/01/2019 às 15:07hs

Após a parceria da Sony com o Marvel Studios, o direito do mais icônico personagem da editora ficou dividido. Se de um lado a Marvel ganhou o direito de usar o Homem-Aranha normalmente em seus filmes, a Sony poderia utilizar o universo do teioso da forma que acreditar ser a melhor.

A primeira iniciativa desse universo do Homem-Aranha foi Venom, que apresentava o clássico vilão em uma roupagem de anti-herói, sem a presença do Homem-Aranha.

A segunda iniciativa veio no formato de animação e a conhecemos por Homem-Aranha no Aranhaverso, que quando anunciado e divulgado o primeiro, gerou curiosidade devido a dois elementos principais: o protagonista, que não seria Peter Parker, e a técnica de animação, que seria algo completamente diferente.

Eis que o filme estreou e todas as expectativas possíveis não poderiam ter sido melhor atendidas.   

Começando pela trama, é notável a forma como o filme é simples e diferente ao mesmo tempo, apresentando o jovem Miles Morales (Shameik Moore), um rapaz que possui uma profunda admiração pelo Homem-Aranha (John Mulaney).

Após um incidente envolvendo uma aranha parecida com a que deu os poderes para Peter Parker, Miles passa a também ter poderes e decide ser um novo Homem-Aranha.

Quando Miles descobre um terrível plano do Rei do Crime (Liev Schreiber) para abrir postais de outras dimensões, por onde passaram Homens-Aranhas de realidades alternativas, que agora devem se unir a Miles para fechar de vez os portais.  

A equipe é a alma do filme e é formada por Miles Morales, que na posição de protagonista, nos apresenta a aventura pelo seu ponto de vista; Peter Parker é quase como um mentor em fim de carreira, e por mais divertido que seja, o clássico Homem-Aranha se mostra um personagem emocionalmente carregado e dono de uma dor traumática e incurável; Gwen Stacy (Hailee Steinfeld) se mostra o lado moderno e descolado do Homem-Aranha, com uma roupagem mais teen, pena que a personagem não foi usada como interesse amoroso do protagonista, visto que os dois formaram um ótimo casal; Homem-Aranha Noir (Nicolas Cage) é inesperadamente cômico, justamente por ser um personagem sério e sombrio, destoando do restante do longa; Peni Parker (Kimiko Glenn), é feita com uma técnica de animação tradicional japonesa, e se mostra o cúmulo da fofura; e temos ele! Porco-Aranha (John Mulaney), que embora não seja tão engraçado quanto possa sugerir, é certamente um elemento bastante divertido e visualmente único, já que carrega traço da animação 2D e diversas referências aos Looney Tunes.,    

Os vilões também oferecem mais do que apenas maldades gratuitas e todos tem suas motivações.

O Rei do Crime (Liev Schreiber) possui uma motivação surpreendentemente tocante e compreensível, o que justifica perfeitamente sua busca por abrir os portais para outros universos, contudo, o vilão continua sendo dono de uma crueldade fora do comum. O Gatuno, apesar de no início parecer mais um capanga, se mostra mais humano e é responsável por uma das cenas mais comoventes do longa.

Outros vilões interessantes aparecem, incluindo uma surpreendente cientista obcecada pelos portais para outras dimensões, mas é difícil comentar sobre eles sem cair no campo de spoilers.

Outros personagens também merecem destaque também, como o Jefferson Davis (Brian Tyree Henry), pai do protagonista, que se revela como um pai cuidadoso e amoroso, mesmo que seja um homem completamente diferente do filho, o que serve de contraste com a relação entre Mile Morales e seu tio, Aaron Davis (Mahershala Ali), um homem muito mais simpático que mantém uma relação de amizade com o protagonista, mesmo que viva em um universo completamente diferente do que Miles está acostumado em seu dia a dia.    

O que mais chama atenção no novo Homem-Aranha é a técnica de animação, que é uma mescla entre diferente estilos, tornando o filme uma verdadeira obra de arte, com um visual diferente, para não dizer revolucionário. Merece ser visto no cinema com toda a pirotécnia que o cinema pode oferecer.

Talvez o mais próximo que o longa tenha de um defeito seja a sua batalha final, que muitos podem alegar ser exagerado, com um excesso de cores e explosões, contudo, é nesse momento em que o visual diferente da animação explode em tela, enchendo os olhos e promovendo um espetáculo visual, mesmo que a cena se estenda um pouquinho demais.  

A cereja do bolo fica por conta da aparição de Stan Lee, que embora ninguém soubesse que seria sua última, a cena serviu como uma bonita homenagem, que relembra a importância do personagem e de seu criador para a cultura pop.

A grande lição que Stan Lee e o Homem-Aranha nos dão é a de que todos nós podemos ser um herói e não estamos sozinhos, pois os heróis são símbolos de esperança, e estão para nos lembrar de que o mundo pode ser um lugar melhor.  

Homem-Aranha no Aranhaverso é, acima de tudo, um filme sobre descoberta, superação, amizade e aceitação. Tudo recheado com cenas de ação empolgantes, uma sofisticada e inovadora técnica de animação, um humor fora de série, referências e homenagens à cultura pop  e personagens tão humanos que é impossível não se identificar.


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