Melhores Filmes de 10 Anos Atrás (2008)

12/01/2019 às 01:45hs

Há 10 anos atrás, o mundo se despedia do interessante ano de 2008, que foi o Ano Internacional das Línguas, Ano Internacional do Planeta Terra, Ano Internacional da Batata, Ano Internacional do Saneamento, Ano Europeu do Diálogo Intercultural, Ano do Sapo, conforme declarado pela iniciativa internacional de conservação, a Amphibian Ark, Ano do Golfinho, O Ano do Pai da Pátria Miguel Hidalgo y Costilla, segundo o Governo do Estado do México.

Entre outras coisas sem importância, como a eleição de Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, a crise econômica que derrubou a economia, a pobre Isabella Nardoni que foi morta e o Brasil que brilhou nas Olimpíadas de Pequim.

Economia, política, esportes e crimes trágicos não importam! O que realmente importa são os filmes!

Por isso relembramos o ano que passou e selecionamos os melhores filmes de saudoso ano de 2008.

10- Ressaca de Amor (Forgetting Sarah Marshall)- Dirigido por Nicholas Stoller

Sem dúvidas a maior comédia de 2008! Escrito e protagonizado por Jason Segel, o longa é um exemplos de um segmento bastante específico: a “comédia romântica de meninos”, que consiste basicamente em comédias que mostram o lado do homem em relacionamentos, tudo recheado com um humor afinado, atuações improvisadas e questionamentos relevantes ao estilo de vida masculino e à superficialidade dos relacionamentos amorosos da atualidade.

A trama é ótima e acompanha o compositor Peter Bretter em sua jornada de volta por cima após o fim de seu relacionamento com a atriz Sarah Marshall (Kristen Bell), e acaba viajando para uma praia no Havaí. Coincidentemente ele acaba hospedado no mesmo hotel de sua ex, que só pra piorar a situação, ela está acompanhada pelo novo namorado, o astro da música Aldous Snow (Russell Brand).

Durante a viagem, Peter é obrigado a enfrentar seu passado, superar a dor e ainda arranjar uma nova paixão, a recepcionista Rachel Jansen (Mila Kunis), tudo recheado por situações hilárias.

Além de altas gargalhadas, Ressaca de Amor aborda a maturidade entre casais pós-relacionamento, a superação de traumas, a conquista do amor próprio e valorização de uma paixão.       

9- Cloverfield: O Monstro (Cloverfield)- Dirigido por Matt Reeves

O estilo dos pseudodocumentários, que aposta falsas imagens reais gravadas de maneira amadora, ganharam popularidade nos anos 2000/2010, principalmente com a franquia Atividade Paranormal, que foi produzido em 2007, mas ganhou os cinemas em 2009. Contudo, foi em 2008 que o estilo diferenciado de filmagem ganhou uma das suas mais reconhecidas obras, Cloverfield.

O longa começa de maneira bastante curiosa, com uma festa de jovens em New York que é frustrada com um ataque de um monstro gigante. Em meio ao desespero, um grupo de sobreviventes decide atravessar a cidade para resgatar uma amiga.

Na época de seu lançamento, Cloverfield era visto como um filme bastante original, pois seus formato ainda não era tão popular, além da história pouco expositiva, focando mais no drama de seus personagens do que nas explicações sobre as origens e objetivos da criatura gigante, mesmo que o impacto do ataque e as precauções dos governantes sobre o caso seja mostrado de relance durante o longa.   

Cloverfield é um filme original, criativo e empolgante, uma jóia lançada naquele ano que deve ser conservada e lembrada ainda por muitos décadas.  

8- Os Invencíveis (Joheunnom Nabbeunnom Isanghannom)- Dirigido por Jee-woon Kim

Atualmente, o cinema sul-coreano é considerado um dos melhores do mundo, repleto de grandes produções dramáticas. Contudo, a Coréia do Sul também apresenta grandes obras de gênero, como em filmes de terror.

Todo esse destaque teve um início, que conhecemos como Os Invencíveis, a primeira grande produção sul-coreana.

O título original da obra, que traduzido significa algo como “O Bom, O Mau e o Bizarro”, já revele bastante sobre o filme e ainda evidencia a homenagem ao clássico faroeste italiano de Sergio Leone, Três Homens em Conflito (Il Buono, il Brutto, il Cattivo, 1966).

A trama se passa em uma região conhecida como Manchúria, no leste Ásia, entre a China e a Sibéria, durante os anos 30, período em que a região era governada pela opressão do Império Japonês e muitos coreanos sucumbiram a vida de crimes e gangues.  

Neste cenário surgem três personagens bastante peculiares: O Bom, interpretado por Woo-sung Jung, é o típico caçador de recompensas de faroeste, um herói com mira certeira, bom coração e uma certa ganância; O Mau é interpretado por Byung-hun Lee, um homem cruel e charmoso, dono de uma vaidade fora do comum; E temos também o melhor personagem do filme, o Bizarro, interpretado por Kang-ho Song, que é um homem atrapalhado e não muito durão, embora eficiente em seus assaltos e em conflitos armados.

O destino nos três personagens se cruzam devido a um mapa do tesouro, que é procurado também pelo exército japonês e outras gangues de criminosos.

Por mais que sua história seja um tanto convencional, é de se impressionar o primor técnico do filme e suas delirantes cenas de ação, que começam com um alucinante assalto de trem e termina com uma perseguição no deserto que faz Mad Max parecer um filme amador! Tudo realizado com efeitos práticos e a dedicação de uma equipe que passou 100 dias no deserto para a gravação do filme, que demorou 10 meses para ser rodado.

Vale lembrar que Os Invencíveis faz parte de um sub-gênero coreano conhecido como Western Manchu, que basicamente constitui filmes similares aos faroeste ocidentais, mas que se passam durante o período da ocupação japonesa na Manchúria. Os Invencíveis foi o primeiro filme deste tipo a chegar aos cinemas em quase 40 anos.             

7- Amantes (Two Lovers)- Dirigido por James Gray

Em 2008 o subestimado cineasta James Gray apresentou um de seus melhores e mais reflexivos filmes.

Amantes narra a história de Leonard Kraditor (Joaquin Phoenix), um homem que ainda sofre com o término de um relacionamento e que acaba de conhecer duas mulheres bem diferentes: Michelle Rausch (Gwyneth Paltrow), sua vizinha independente e atraente por quem Leonard possui uma forte atração; e Sandra Cohen (Vinessa Shaw), uma jovem conhecida da família, que possui um sentimento por Leonard.

Eis que Leonard, em meio ao fundo do poço da solidão e da tristeza, precisa decidir entre a opção mais confortável, a opção que ele realmente quer ou continuar lamentando o fim de seu relacionamento anterior.

Amantes é um retrato de como os relacionamentos, e consequentemente os términos, afetam a vida das pessoas, que são capazes de tudo para fugir da solidão.

A conclusão do filme é única e questionadora: Será que você era a primeira opção da pessoa que você ama? Será que você não é apenas um consolo na vida do seu namorado ou da sua namorada?  

6- Guerra ao Terror (The Hurt Locker)- Dirigido por Kathryn Bigelow

Kathryn Bigelow, que sempre agradou com seus modestos filmes de ação, surpreendeu com essa obra que, mesmo abordando temas sérios, manteve a qualidade das cenas de ação.

Guerra ao Terror, ou “A Ferida Travada” quando traduzido o título original, narra a história dos últimos 30 dias de expediente de uma companhia responsável por desarmar bombas no Iraque. Para aumentar a tensão do trabalho do grupo, entra em ação o novo capitão da companhia, o sargento William James (Jeremy Renner), um soldado experiente, porém impulsivo.

O filme retrata o dia a dia dos soldados de maneira eficiente, mostrando para o público como o caos da guerra vai aos poucos deixando até o mais corajoso dos soldados louco.

Entre tantas cenas e momentos emblemáticos, se destaca o curioso e empolgante final, que nos mostra como a guerra é de fato uma droga, pois faz mal a saúde, pode matar, contudo, a guerra é um vício.

Guerra ao Terror, que mesmo nos Estados Unidos estreou em 2009, ganhou o Oscar em 2010 em diversas categorias, incluindo a de Melhor Filme, contudo, o grande feito foi o longa ter recebido o prêmio de Melhor Direção, primeiro Oscar da categoria concedido para uma mulher. Curiosamente, o grande favorito ao prêmio era James Cameron pelo épico de ficção científica Avatar, ironias a parte, Cameron é ex marido de Bigelow.   

5- Gran Torino (Gran Torino)- Dirigido por Clint Eastwood

2008 foi o ano de Clint Eastwood! Além de entregar o drama “feminino” A Troca, o diretor também lançou naquele mesmo ano um drama “masculino”, protagonizado por ele mesmo: Gran Torino, aquele que viria a se tornar um de seus maiores e mais reconhecidos filmes.

A trama acompanha Walt Kowalski (Clint Eastwood), um veterano de guerra que acabou de perder a esposa e passa a refletir mais sobre a vida e a morte.

Walt é um homem traumatizado pela guerra e carrega consigo estereótipos racistas e misóginos, que precisa agora enfrentar seus preconceitos quando uma nova família se muda para casa ao lado: um grupo de refugiados de Laos.

Entre conflitos com gangues e com diferenças culturais, Walt desenvolve uma amizade e um carinho especial por seus novos vizinhos, que se tornam mais importantes do que sua própria família, com quem possui um relacionamento difícil.

4- Deixa Ela Entrar (Låt Den Rätte Komma In)- Dirigido por Tomas Alfredson

2008 foi um ano interessante para os vampiros. Além ser o ano de lançamento do fenômeno Crepúsculo, outra história de amor entre seres imortais estreia do outro lado do globo.

É muito irônico que o terror sueco Deixa Ela Entrar tenha sido lançado no mesmo ano de Crepúsculo, pois os dois filmes conseguem ser bastante parecidos, ao mesmo tempo que completamente diferentes.

Deixa Ela Entrar nos apresenta um romance entre duas crianças: um garoto que sofre com o bullying na escola e uma vampira, que vaga de cidade em cidade acompanhada por um senhor de idade. Aos poucos, os dois vão se envolvendo e descobrindo o melhor (e o pior) um do outro.

Superficialmente, Deixa Ela Entrar pode parecer um romance adolescente, contudo, é uma obra madura, que usa do amor jovem e do terror fantástico para abordar o bullying, a solidão precoce e o amadurecimento, que são problemas quase invisíveis que atinge tantas crianças e adolescentes hoje em dia.

Tecnicamente, a obra também se mostra perfeita, com planos bem filmados, o que gera cenas icônicas, como o ataque em baixo da ponte e o massacre na piscina. Sem contar no seu final depressivo, simples, lindo e perfeito.

Deixa Ela Entrar é uma delicada, meiga e apaixonante história sobre mutilação e morte.

3- WALL-E (WALL-E)- Dirigido por Andrew Stanton

Os anos 2000 foram a era de ouro das animações em computação gráfica, sobretudo as da PIXAR, que não apenas é até hoje referência no assunto, como também é o estúdio responsável por criar e popularizar esse estilo.

Um dos ápices do estúdio certamente foi a simpática ficção científica WALL-E, que conquistou público e crítica com seu discurso ecológico, crítica ao consumismo e com seu protagonista, que é provavelmente um dos personagens mais fofos e carismáticos da história dos cinema.

O longa aborda um futuro distópico, onde a terra se transformou em um grande lixão e cabe a simpáticos robôs, como WALL-E, limpar a terra em busca de algo de valor.

Enquanto isso, o que restou da humanidade vive em uma gigantesca espaçonave, onde todos adquiriram obesidade por terem deixado de se locomover.

A crítica à degradação do meio-ambiente e à escassez de recursos naturais é mais do que óbvia, mas WALL-E vai além ao abordar de forma mais discreta a valorização do pouco e o desapego às coisas materiais, e por que não, a desigualdade social. O nosso simpático robô vive no lixo, em meio aos restos da existência humana, porém, ele é feliz, tendo ao seu lado uma barata (considerado um ser repugnante) como amigo. Poucas cenas no cinema são tão emblemáticas ao abordar tais questões, como o momento em que WALL-E encontra uma caixinha com um anel de diamante dentro e se encanta com a caixa, abandonando o diamante, pois de que vale jóias e pedras preciosas em um mundo condenado?        

2- O Lutador (The Wrestler)- Dirigido por Darren Aranofsky

Em seu quarto longa metragem, o atualmente renomado diretor Darren Aranofsky nos presenteou com um filme de estrutura aparentemente simples e clichê: A trajetória de um lutador de luta livre, contudo, o cineasta fugiu de todos padrões de dramas esportivos, e abortou o lado depressivo e espirituoso da busca pela perfeição.

Ao sermos apresentados ao personagem Randy Robinson, interpretado perfeitamente por Mickey Rourke, nos deparamos com a melhor pessoa do mundo! Um homem gentil, cavalheiro, cheio de amigos, mas que enfrenta diversos problemas pessoais, como seu relacionamento com a filha, seu emprego fixo, com a mulher que ama (mesmo o campeão cai na friendzone), com o aluguel e com o uso de anabolizantes.

Contudo, a maior alegria de Randy é a luta livre, o esporte que o consagrou como um grande astro nos anos 80, e que ainda o rende grande prestígio. Lutar é a alegria de Randy, mas quando a sua saúde fica comprometida por conta disso, o lutador deve optar entre ser feliz e ser vivo.

“De que vale viver uma vida onde você não pode fazer o que você ama?
De que vale viver em um mundo, onde você não poder ser quem você é?
Por que insistir em pessoas que não ligam para você?
Como é possível que as pessoas percam tanto tempo realizando tarefas e obrigações, enquanto fingem que são felizes e realizadas?
Onde está a verdadeira felicidade?
Está na família? No trabalho? No dinheiro? No amor?
A felicidade tem muitas formas e não importa o que os outros vão pensar, apenas seja você mesmo, seja aquele que você nasceu para ser, seja forte, seja carismático, seja feliz, seja um lutador…”

1- Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)- Dirigido por Christopher Nolan

Considerado o Cidadão Kane dos filmes de super-herói, o segundo capítulo da trilogia de Nolan é até hoje considerado uma revolução dos filmes do subgênero. O Cavaleiro das Trevas trouxe a tona a um lado mais sombrio e realista das adaptações de quadrinhos ao apresentar personagens que funcionam como retrato das diversas figuras da realidade e nos fazem refletir sobre os limites do ser humano, vigilância e da corrupção.

Como se toda a trama de crime, tensão e política já não fosse grandiosa suficiente, o longa nos apresenta um dos melhores vilões da história do cinema: o Coringa (Heath Ledger). A interpretação mais marcante da história dos filmes de super-herói se tornou um ícone da cultura pop, levando o nome de Ledger ao palco do Oscar como o vencedor na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, prêmio merecido e póstumo a sua trágica morte, em 22 de Janeiro de 2008.

Além de Ledger, a outra grande estrela do longa é o seu diretor. Nolan entrega cenas de ação inacreditáveis e recheadas de efeitos práticos e uma montagem primorosa. Impossível não lembra da insana perseguição com o batmóvel ou o roubo do banco.

Batman:O Cavaleiro das Trevas não é apenas um marco para o seu subgênero, é um marco para o cinema de ação e certamente um dos grandes ícones do cinema dos anos 2000. É só uma pena que as grandes premiações não tenham dado o devido valor ao longa, que mesmo com o Oscar de Ledger, merecia mais reconhecimento.   

Menções Honrosas:

*Trovão Tropical (Tropic Thunder)- Dirigido por Ben Stiller

*O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)- Dirigido por David Fincher

*Frost/Nixon (Frost/Nixon)- Dirigido por Ron Howard

*Milk- A Voz da Igualdade (Milk)- Dirigido por Gus Van Sant

*A Troca (Changeling)- Dirigido por Clint Eastwood

E ai? Concorda? Qual o melhor filme de 2008?

Comente e não deixe de conferir nossas outras listas.  

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