O futuro que o Coringa NÃO merece

25/08/2017 às 14:56hs

Vilões são a antítese do herói, aqueles que dão sentido à batalha do mocinho e expõem exatamente o oposto do protagonista, tudo para nos localizar na linha entre bem e mal. Alguns vilões, como Darth Vader, se tornam tão grandes quanto os protagonistas, e esse também é o caso do Coringa.

O personagem é tão grande que já foi adaptado para o cinema 3 vezes, e uma vez para a TV. Porém, nem tudo têm sido bom para o legado do Palhaço do Crime. Com a péssima recepção de sua última versão cinematográfica, interpretada por Jared Leto, a Warner/DC anda buscando soluções para resgatar o personagem, mas com uma afobação preocupante.

Com os anúncios recentes, fica clara a falta de domínio de situação pelo qual o estúdio passa. Nada ali dentro é imutável, e isso se torna um problema quando afeta a composição de um personagem tão complexo quanto o Coringa.

Talvez, disso tudo, a melhor visão tenha sido a de trazer Martin Scorsese para produzir um longa da origem do vilão. Esse tipo de abordagem traria um Coringa gangster, cercado pelos mafiosos e capangas de Gotham em seu início de jornada pelo poder. Porém, segundo a notícia, isso também mudaria o ator (Leto) que o interpreta, sob a premissa de universos paralelos, uma vez que Jared ainda pode ser utilizado no papel em outros filmes (já vamos falar sobre isso).

A ideia de um filme de máfia com o Coringa é muito interessante, mas trocar mais uma vez o ator seria um grande desgaste do personagem. O público gosta de reconhecer o personagem em seus intérpretes, a exemplo de Robert Downey Jr/ Tony Stark , e por pior que tenha sido o Coringa de Leto em Esquadrão Suicida , tirar o ator do papel requer uma nova apresentação, um novo intérprete e uma nova visão, tudo de uma vez só, e bom, andamos vendo que isso não tem dado certo para a DC.

Um exemplo do prejuízo da troca está em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, que apesar de ser um ótimo filme do teioso, fez US$ 709 milhões em bilheteria, e não alcançou a arrecadação dos 3 primeiros filmes do herói. Isso, entre outras coisas, se deve ao desgaste do personagem. Pra mim e pra você, fãs de quadrinhos e do personagem, não importa quantas vezes eles for adaptado, nós compraremos o ingresso. Mas o público geral, que é quem faz a arrecadação do filme explodir, basta uma versão ruim e uma troca pra que eles prefiram ver em BluRay.

No caso de estabelecer um universo paralelo, a Warner esbarra no público geral também. Conhecemos os múltiplos universos dos  quadrinhos, mas a massa não conhece, e pior, os filmes da franquia não estabeleceram isso. Sendo assim, mudar o intérprete sob essa premissa seria mais um ato de desespero, e provavelmente sairia pela culatra.

Solução

O simples sempre funciona. Já que a ideia é resgatar o personagem, manter Jared Leto no papel e mudar a visão do personagem é a decisão mais acertada. Mais prudente do que estabelecer novos universos e linhas temporais, já vimos isso em X-Men nos cinemas e não foi legal!

Quanto ao filme “de amor e crime” com a Arlequina e o Coringa, pouco podemos falar, já que a ideia é mais do que absurda. É preciso destacar o fato de que a relação dos dois nos quadrinhos é altamente abusiva, e por isso não deveria ser colocada nos holofotes dessa forma. Por outro lado, subverter isso seria mudar completamente a psique doentia do Coringa, humanizar um monstro, por assim dizer, e ninguém quer isso, NINGUÉM!

A forma correta de adaptar essa relação, se é que ela precisa ser adaptada, seria mostrá-la inserida em outro filme, que não é sobre eles, uma história do Esquadrão ou mesmo um filme do Batman. Funciona melhor, mais sutil e mais fiel ao conteúdo original.

Warner, ainda dá tempo: Desistam dessa ideia e salvem o Coringa!

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