Star Wars e os fãs mimados

13/06/2018 às 13:41hs

Imagine que você foi contratado por uma das maiores empresas do mundo, e precisa apresentar para os clientes um projeto muito aguardado. Porém, assim que você apresenta, ao invés de pontuarem seus méritos e falhas no trabalho, parte dos clientes começa a atacar você pessoalmente, falando sobre sua aparência, etnia e descendência. Como você reagiria? É justo?

Infelizmente, esse comportamento de manada está tomando conta da cultura pop, especialmente de Star Wars. Os ataques à atriz Kelly Marie Tran são só mais uma estatística para a conturbada relação de alguns fãs com a franquia. Mas mesmo esses alguns já fazem barulho, ou melhor, ruído. A atriz que deu vida à Rose em Star Wars: Os Últimos Jedi foi vítima de ataques racistas e machistas em seu Instagram desde o lançamento do filme, o que a levou a deletar as fotos de sua conta. As desculpas para esse tipo de ataque gratuito são as mais variadas, e vamos desmantelar algumas delas aqui.

Alguns alegam que são “fãs fiéis”, que estão defendendo o legado da franquia. Veja bem, protestar contra uma obra de ficção “mal feita” (o que não é o caso deste filme) é perfeitamente normal, e a cultura Pop é moldada a partir de opiniões. Isso, porém, deve se ater apenas à obra. É mais do que óbvio que os atores e equipe de produção envolvidos em qualquer filme merecem e podem ser criticados pelo trabalho, mas apenas no âmbito profissional. Estamos em 2018, esse tipo de cartilha não deveria precisar ser explicada, mas infelizmente, estamos regredindo nesse sentido. A reação infantil de atacar as pessoas que participam de algum projeto mostra não só que existe uma parte da base de seguidores de Star Wars completamente mimada, como também prova que essa base não é realmente fã da saga. Que tipo de fã você é se só gosta de algum material quando ele corresponde às suas expectativas e conceitos?

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Dando um exemplo prático e pessoal, cito os meus problemas com o trabalho do diretor Zack Snyder, e essas críticas você pode ouvir em alguns episódios do nosso podcast, o Nave Mainha. De todas as obras do cara, existem duas ou três com as quais eu simpatize, mas eu torço o nariz para os seus últimos dois filmes (Liga da Justiça não conta), por diversos motivos. Mesmo assim, minhas críticas são apenas ao trabalho dele, não ao ser humano, que com certeza não é mal intencionado quando adapta um material do qual eu gosto.

 

Nave Mainha #07 – DC no cinema

Essa separação entre pessoal/profissional não está acontecendo para boa parte dos pseudo fãs ao redor do mundo.

Existem também aqueles que defendem que estão “forçando o protagonismo” de mulheres em Star Wars. A estes, cabe apenas lamentar um ego frágil e ultrapassado, que é ferido sempre que ele não se sente superior. Que apareçam mais Reys, mais Roses e mais Jyns, e não só no universo galático, como em todos os pontos da cultura pop.

E lembre-se: preconceito não tem nada a ver com opinião, e ser fã de algo não te torna o centro da razão universal.

Já ouviu aquela expressão “tudo tá ficando politicamente correto, é muito mimimi!”? Pois então, infelizmente, esse é um mal necessário. Se houvesse igualdade racial, de gênero e de ideologias, é claro, respeito entre todos, nenhuma obra ou personalidade precisaria levantar questões sobre obras inclusivas, já que todos estariam incluídos, entende?

Cabe a nós, fãs reais, sermos o som que abafa o ruído.

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