Fica Comigo | Crítica

E lá vamos nós outra vez

15 jan 2018

Certas histórias se repetem em uma caralhada de filmes: o boxeador que precisa se provar para chegar ao topo, o bandido regenerado que se torna herói, a garota fútil que descobre seu real valor, etc. Por mais batido que seja, dentro de uma história arrumadinha, os filmes podem se tornar interessante.

Porém, nos últimos anos, um tipo de história batida vêm se repetindo quase que da mesma maneira: a velha história do amor mal resolvido que acaba resultando em obsessão em um dos lados, que busca conquistar o outro a qualquer custo. Na última década, tivemos, entre outros, Obsessiva, famoso por ter BeyoncéIdris Elba no elenco. Além dele, Colega de QuartoPaixão ObsessivaO Garoto da Casa ao Lado

Todos eles respeitam a mesma premissa, claro que com algumas variações, mas no geral, mesma historinha furada. O ponto é que Fica Comigo (2017) não se estraga pelo roteiro fraco e pela trama batida, mas sim pela falta de coragem.

Com um elenco jovem, incluindo Bella Thorne, presente no ótimo  A Babá (CRÍTICA AQUI), o filme podia buscar sua originalidade nos temas atuais, como o assédio moral e os relacionamentos abusivos, discutindo de forma mais aberta tudo que pode ser entendida a cabeça das pessoas que se comportam assim.

Ao contrário disso, o filme parece não querer se esforçar para deixar a história interessante, tornando tudo extremamente previsível. A “vítima”, Tyler (Taylor John Smith) cai na convenção do “não vou contar, mesmo não sendo culpa minha”, e é isso que serve de muleta para que a vilã continue o seu plano. Dessa forma, o filme parece um episódio longo de Malhação, com uma pitada de violência (mas bem pouco).

A crítica aqui é, na verdade, mais sobre como esse tipo de filme deveria contar sua história para agregar algo às discussões atuais, e não sobre a qualidade baixa do mesmo. Não é um filme horrível, mas talvez seja uma das infelizes escolhas da Netflix.

Mas sabe o que é mais triste? Uma hora ou outra, sapeando entre as atrações da nossa locadora favorita, de tanto ter esse filme esfregado na cara, você vai assistir. Mas não se culpe, no final, é uma boa “Sessão da Tarde”.

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