Jumanji: Bem-Vindo à Selva | Crítica

Eis que 2018 começa surpreendendo e nos apresenta um dos melhores filmes de videogame, que não é baseado em videogame

23 jan 2018

É difícil comentar sobre Jumanji (Idem, 1995), longa de fantasia dos anos 90, pois apesar de ser um filme conhecido pelas inúmeras reprises na Sessão da Tarde, Jumanji não chega ao nível de clássico. Mesmo assim, o longa alcançou um status de filme conhecido o suficiente para ser lembrado até hoje.

Dirigido por Joe Johnston (Jurassic Park 3), Jumanji apresenta ao público um jogo de tabuleiro amaldiçoado que é ambientado com o tema selva. Quando duas crianças encontram o tal jogo, acabam libertando um homem que foi transportado para dentro do universo do jogo vinte anos atrás quando ele ainda era criança. É claro que esse homem é Robin Williams (Uma Babá Quase Perfeita), que estava no auge da carreira. Mas junto com o jogador veterano, as crianças acabam libertando outros moradores do universo de Jumanji, entre eles, aranhas gigantes, plantas carnívoras, elefantes, rinocerontes, macacos e um caçador implacável (Jonathan Hyde). A única forma de impedir que mundo amaldiçoado de Jumanji saia do jogo por completo e destrua a cidade, os jogadores terão que terminar a partida de onde começaram.

Ação, aventura, comédia e um pouquinho de terror são coisas que os filmes de hoje tem em comum com várias obras dos anos 90. Mas outro elemento fundamental é a sequencia. No caso de Jumanji, a sequencia veio apenas 22 anos depois com o filme Jumanji: Bem-Vindo à Selva.

Quando foi anunciado que Jumanji teria uma sequencia, muito foi questionado sobre a necessidade de se retomar uma franquia que nem era tão conhecida assim. Quando foi divulgada a primeira imagem oficial, muito foi criticada sobre o machismo em torno do figurino desnecessariamente sensual da atriz Karen Gillan e quando saiu o primeiro trailer. E quando saiu o primeiro trailer, pouco empolgou. Mas de onde vêm as maiores surpresas? Vêm justamente das expectativas baixas. Pois é… Jumanji: Bem-Vindo à Selva é divertidíssimo.

O filme apresenta uma nova geração de jogadores, um nerd dos games (Alex Wolff), uma deslocada (Morgan Turner), uma patricinha metida a gostosona (Madison Iseman) e um atleta burrão (Ser’Darius Blain). Os típicos clichês adolescentes que acabam indo parar na detenção da escola e lá se deparam com uma versão moderna do jogo amaldiçoado, que agora se tornou um videogame. Ao arriscarem jogar, os aventureiros são transportados para dentro do mundo selvagem de Jumanji e assumem os corpos dos personagens que escolheram: O nerd se transforma no herói fortão (Dwayne Johnson), o atleta se transforma em um zoólogo magrinho (Kevin Hard), a deslocada se transforma em uma guerreira sensual (Karen Gilla), e a metida se transforma em um topografo gordinho (Jack Black). E para escapar do jogo, eles devem devolver um objeto sagrado para o seu local de origem e enfrentar um vilão que controla os animais.

Comparado com o original, Jumanji 2 é um filme bastante diferente. Além da modernização do jogo de tabuleiro, o que mais chama a atenção é o fato dos personagens agora estarem dentro do jogo, fato que é inverso à obra original, onde era o mundo de Jumanji que era transportado para fora do jogo. E essa ideia é um acerto e tanto, já que o mundo de floresta é sensacional.É claro, não existe qualquer lógica cientifica dentro daquele universo: hipopótamos comem gente, rinocerontes brancos vivem nas florestas, onças pintada correm mais do que uma motocicleta… E por ai vai… Mas o próprio filme nos lembra que o comportamento dos animais de Jumanji obedece uma lógica própria dentro daquele universo.

Outra diferença importante entre o novo Jumanji e o clássico é a comédia, que estava presente na obra original, mas que aqui vem funciona quase como atração principal. E muito do humor do novo filme vêm da incompatibilidade entre a personalidade dos personagens com os corpos dos avatares que eles escolheram para jogar. Ver o astro de filmes de ação Dwayne Johnson com todas as qualidades de verdadeiro herói brucutu do cinema, mas com a personalidade de um garotinho viciado em games é tão hilário quanto o oposto, no caso Kevin Hart, que é pequeno, magrinho, especialista em animais, sem muitos atributos físicos, mas com a personalidade de um atleta marrento. Os outros dois membros da equipe não ficam atrás, Karen Gillia, com seu figurino que satiriza a apelação sexual que as personagens femininas possuem nos games, tem a personalidade de uma moça tímida, que acaba tendo que aprender a usar os seus atributos femininos em uma cena desnecessária e que poderia ter sido matado toda a sátira em torno da sensualidade da personagem, mas acabou sendo um momento hilário. Mas o maior destaque vai para o personagem de Jack Black, que só pelo fato de ter uma personalidade feminina dentro do corpo de um homem já é uma piada pronta, ver uma mulher, no corpo de um homem, aprendendo a urinar de pé, é de doer a barriga de tanto rir.

Alguns fãs do filme original podem estranhar a ausência do “terror”, por que apesar de ser uma obra de fantasia, aventura e comédia, o Jumanji original tinha alguns momentos bizarros e um pouco assustadores, que o novo longa optou por evitar. O único elemento que o filme manteve foi o assustador som dos tambores, mas só é tocado em dois momentos do novo filme.

O filme é repleto de referencias a games. Desde a cutscene, que começam do nada e contextualizam os personagens dentro da história, até os NPCs, que abusam de falas repetitivas e forçadas, além de também se repetirem, como acontecia em games clássicos como Golden Axe. Até a movimentação dos NPCs lembra os games. Os personagens também tem que enfrentar fases, ajudar uns aos outros com suas habilidades únicas e também tem um limite de três vidas, que mostrada através de uma barra no pulso. Mas videogame que isso impossível.

Como principais defeitos, podemos destacar o vilão (Bobby Cannavale), que apesar de parecer ser uma sátira dos vilões ridículos de videogame, acabou sento pouco aproveitado considerando o potencial de suas habilidades. Outro problema também seria alguns momentos de enrolação que servem como tentativa de relacionar os personagens, inclusive inserindo alguns romances. Apesar de serem momentos engraçados, muitas dessas cenas ficam sobrando e deixam o filme um pouco mais longo que o necessário.

No geral, Jumanji: Bem-Vindo a Selva funciona em tudo o que se propõe e conseguiu se firmar como uma das grandes surpresas deste começo de ano. Este certamente é um filme feito para todos os públicos, os fãs de aventura, comédia, games e admiradores do clássico de 95 estão muito bem servidos.

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