Raio X | As falhas do Universo Marvel

A escolha pela leveza prejudica a narrativa do estúdio

6 nov 2017

Não gostamos de usar notas para classificar a qualidade dos filmes e das séries. Reduzir uma série de fatores presentes em uma obra a apenas uma nota é simplista demais para a complexidade da análise. Porém, nesse caso específico, essa analogia deve ser feita.

Universo Marvel se iniciou em 2008, e apesar de não ter estabelecido completamente a sua atmosfera ali em Homem de Ferro, o humor passou a povoar 90% das produções do estúdio. Entre filmes mais cômicos como Thor: RagnarokGuardiões da Galáxia e filmes mais sisudos como O Incrível HulkCapitão América: O Soldado Invernal, em graus diferentes, a única constante é a piada.

Excesso de humor?

Ao contrário do que se prega, a piada não estraga nada, e Deadpool (2016) é uma prova disso. O que vem prejudicando cada dia mais o MCU é a leveza. E não, não é a mesma coisa. A leveza é a ausência de consequência. Em 9 anos de franquia, poucos foram os problemas enfrentados pelos Vingadores em represália aos seus atos.

Falta de Consequências

Entenda: consequência não necessariamente significa morte. Exemplo maior disso é Capitão América: Guerra Civil. Nos quadrinhos, a trama teve a importante morte do Golias, mas ainda assim, o fato de o Capitão se entregar às autoridades é extremamente impactante. Por isso, o filme falha na intenção de dar tensão e propósito à briga. Uma vez que o público sabe que o final será tranquilo, todas as tensões de meio de trama são totalmente descartáveis.

Esse é o ponto central nas falhas dos filmes do Marvel Studios. Heróis estão, em sua grande maioria, se colocando na linha de fogo pela população que defendem, e essa posição inflige danos a eles. Quando a produção sacrifica personagens como CoulsonMercúrio, cria uma tensão e um senso de justiça e perigo momentâneo, mas que é desconstruído na piada seguinte.

Além de jogar contra a própria intenção, esse tipo de narrativa destrói a impressão de universo compartilhado da franquia. São poucas as coisas que acontecem em um filme solo que é aproveitada na franquia principal. A remoção do reator arc do peito de Tony Stark (Robert Downey Jr. ) é um dos grandes exemplos dessa ideia. O reator é removido em Homem de Ferro 3 e a informação é ignorada em Vingadores: Era de Ultron.

Vou usar um fato pessoal para ilustrar essa ideia. O redator que vos fala não gostou de Batman V Superman. Porém, eu escolho a coragem do filme ao invés da mesmice recente da Casa das Ideias.

Tudo bem, a intenção é pasteurizar os filmes pra que todos eles alcancem o maior público possível, mas será que realmente precisa pegar tão leve? Até então, é uma reclamação constante, porém, que não se reflete nas bilheterias. Mas até quando?

Os heróis Marvel são extremamente corajosos, quando é que os roteiristas e produtores serão também?

 

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